Snow Ball Earth - BBC Horizon

17 11 2006

Por muito tempo os cientistas se toparam com claras evidências de que até os trópicos estiveram cobertos sob grossas camadas de gelo há mais de seiscentos milhões de anos. Todas estas evidências do chamado efeito Bola-de-Neve sempre foram desconsideradas por causa do movimento dos continentes através das eras geológicas, que explicaria o fenômeno.

Este documentário da série BBC Horizon demonstra as evidências da teoria e de como a vida - até então composta apenas por ciano bactérias e algas - pôde sobreviver em tais condições adversas.

Embora um grande número de objeções tenham sido levantadas contra esta tese, há ainda um bom número de cientistas na comunidade que aceitam que algum nível de “efeito” Bola-de-Neve ocorreu na era geológica abordada.

Simples e objetivamente, as teorias são explicadas com humor e imagens competentes e, embora os cientistas não concordem ainda sobre o tema, é uma excelente oportunidade para se aprender como a ciência é feita e conhecer alguns detalhes do processo científico.

Duração: 50 minutos.

Recomendação: Bom. :) :) :)




Como a arte criou o mundo

17 10 2006

Nigel Spivey photoUma série de documentários apresentada por Nigel Spivey – professor em Cambridge. Não tenho notícia de que tenha sido lançado em português, o título original é “How Art Made the World”. A teoria que baseia a série é que não só criamos arte porque somos humanos mas somos humanos por causa da arte. Existe aí uma importante mudança de olhar, que é onde o documentário acaba escorregando.

O primeiro episódio “More Human Than Human” (Mais Humano Que Humano) é irretocável. Uma delícia de assistir. Apresentado com humor e grandes doses de informação que continham surpresas até para mim, que estudei História da Arte por anos.

A partir daí, o vício maldito da academia de fazer os fatos servirem à teoria toma conta. Cada episódio tem pelo menos um momento onde você quer discutir com o script. Por exemplo, ele deixa implícito que o desejo de criar imagens levou ao desenvolvimento da agricultura. Como se alguém pudesse dizer: “Queremos pintar mais, quem sabe a gente faz o inimaginável: ao invés de ir atrás dos grãos vamos jogá-los no chão na época certa e eles vão crescer.”, obviamente o caminho é o contrário – a influência econômica da recém descoberta agricultura – a capacidade de produzir mais comida com o mesmo esforço – liberou mão-de-obra para criar mais imagens.

Para espectadores implicantes a nota é 8 de 10, para pessoas normais provavelmente 9 de 10. Belíssimas imagens, humor, informação até cansar e um dom para explicar didaticamente conceitos complexos. É uma ótima escolha para a coleção de um professor de Arte ou Educação Artística e para todos que se interessam pelo assunto. Apenas em inglês.

Lista de Episódios

  1. More Human than Human (Mais Humano que Humano) – Porque gostamos tanto de imagens do corpo humano que são irreais e distorcidas?
  2. The day pictures were born (O dia em que as imagens nasceram) – Quando e porque as primeiras imagens foram criadas.
  3. The art of persuasion (A Arte da Persuasão)- Como imagens são usadas para manipular a opinião pública e onde isso começou.
  4. Once upon a time (Era uma vez) – A história do desenvolvimento de técnicas para contar uma história visualmente.
  5. To death and back (Até a Morte e de volta) – Imagens mórbidas e o seu poder.

Maiores informações:

    Uma co-produção KCET / BBC de 2005
  • Apresentado por Nigel Spivey - Currículo
  • Site

Tempo: 1 hora cada episódio.

Recomendação: Muito Bom. :) - :) - :) - :)




A Batalha do Rio da Prata

23 08 2006

Em 1939, alguns meses depois de ser lançado ao mar com o objetivo explícito de afundar qualquer navio mercante britânico assim que a guerra fosse declarada, o Graf Spee, a melhor nave de combate alemã na época, depara-se com uma flotilha de três cruzadores ingleses mandada pessoalmente por Churchill em sua caça nas águas do Atlântico Sul. Uma curta batalha em que dois navios da Royal Navy e o próprio Graf Spee são bastante avariados leva o almirante alemão Langsdorff a procurar um porto seguro para reparos em Montevideo, Uruguay, à época um país neutro no conflito.

Baseado em testemunhos de sobreviventes dos dois lados, imagens da época e nos diários de bordo e na correspondência pessoal dos dois capitães inimigos, Langsdorff e Harwood.

A partir de um estratagema e um blefe diplomático, os ingleses induzem a batalha a um desfecho surpreendente e bastante tocante. Sem apologias ou condescendências com os nazistas, esse documentário mostra como, mesmo lutando do lado errado, um sujeito como Langsdorff foi capaz de se mostrar um homem decente e honrado, naquela que foi a primeira vitória inglesa na Segunda Guerra Mundial.

  • Direção: James Hayes
  • Produção: James Hayes
  • Narração: Michael Praed
  • Consultoria histórica: Dr. Eric Grove

Parte da série de documentários televisivos TimeWatch TV, 2006, em coprodução da BBC / The Open University.
Distribuição: BBC.

Título original: Timewatch - The Battle of the River Plate

Tempo total: 47:44 minutos.

Recomendação: Não perca. :) :) :) :) :)




Migração Alada de Jacques Perrin

22 08 2006

Migração Alada / Winged Migration / Le Peuple Migrateur

Fomos ver no domingo, na sessão popular do Unibanco Artplex no Frei Caneca, o tal “Migração Alada” ou “Winged Migration” do francês Jacques Perrin, o mesmo de Microcosmos e Le Peuple Singe. Dá pra suspeitar que o sujeito não gosta de foi gras, de tantas imagens fenomenais de bandos de gansos voando.

A seqüência inicial do filme, apesar de, talvez, apelar um pouco para um sentimentalismo barato, é capaz de arrancar lágrimas do mais desalmado dos materialistas (meu caso). A narração espartana, quase inexistente, tem mesmo pouca função diante das imagens. Não consigo imaginar outro filme que tenha dado tanto trabalho pra ser produzido e editado, apesar da decepção de não ver cumprida a promessa de que as imagens seriam de aves de todos os continentes. Afora algumas imagens de pingüins, algumas araras amazônicas e aves africanas e japonesas “exóticas”, muito pouco foi filmado fora do eixo Atlântico Norte. Nada de biguás e cormorões, nada de flamingos do Lago Titicaca, nada de andorinhas azuis, que, como nós, do Hemisfério Sul, também são migrantes de segunda classe, parece.

Em poucas cenas aparecem seres humanos, que, do ponto de vista grandioso da narração, são mesmo dispensáveis. Mas as cenas onde aparece gente são as mais tocantes, lacrimosas, rasteiras ou poéticas, dependendo do ponto de vista do espectador. Ver uma versão báltica da minha avó oferecendo sementes de girassol a um bando de cegonhas exaustas voltando do ártico é mais uma das cenas que não esquecerei enquanto a memória não me falhar. Gostei tanto desse filme que não vou recomendá-lo pra ninguém, como bom ex-comunista. Se eu tivesse realizado, participado da filmagem, editado ou produzido esse, já me daria por satisfeito na vida e voltava pra minha vila, no século 16, de onde nunca deveria ter saído. E diria: Missão cumprida, vovó, pra depois comer a ambrosia que ela sempre ofereceu aos recém-chegados de quem gostasse.

Ficha técnica:

  • Direção - Jacques Perrin
  • Co-direção Jacques Cluzaud e Michel Debats
  • Narração - Jacques Perrin
  • Roteiro - Stéphane Durand e Jacques Perrin
  • Produção - Christophe Barratier e Jacques Perrin
  • Produção executiva - Jean De Trégomain

Distribuição: Sony Pictures.

Tempo total: 85 minutos.

Efeitos especiais: Com uma combinação de aeromodelos, balões e aproveitando todo tipo de oportunidade e ângulos, os produtores deste filme magnífico foram capazes de gerar alguma das cenas mais formidáveis de pássaros em vôo já vistas.

Recomendação: Não perca. :) - :) - :) - :) - :)